O Blues da Encruzilhada

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O Diabo na rua toca guitarra-, o Homem na Encruzilhada dedilha a escala. A tônica cai na oitava, a nota triste-, evoca cinco vezes. O Diabo na rua no meio da Encruzilhada.
Robert Johnson músico meíocre, foi à Encruzilhada-, desafiou, escalou. Fausto pactuou com Mefistófeles, viu a Walpurgisnacht: dançou, cantou-, aprendeu. Riobaldo Tatarana fechou o corpo, na Veredas mortas-, tornou-se Urutu Branco.

As pessoas falam do que ouvem, o Diabo evocado na encruzilhada-, houve o dedilhar. Afinado está, FAz-se trítono-, SE ao mesmo tempo estiver nos quintos. Está na encruzilhada, sabe tocar-, sobe o Rio. A corrente, o apito do trem-, café com pão. Libertinagem, estrela da vida inteira-, Teresa. A balada da encruzilhada, o magro senhor Jão-, um dia da vida.

Johnson com a faca à mão evoca-O, sabe a prece-, possui a nota. O Blues da encruzilhada, ele e o Diabo-, na rua no meio do redemoinho. As pessoas falam da encruzilhada. Meu amigo Meioquilo, viu ele parado-, dedilhando. Em uma tõnica de cinco, uma oitava-, blue note. Está na encruzilhada, as pessoas falam da música-, que aprendi:

Encruzilhada
O homem caído, o sol no dorso.
Deitado com a face ao chão,
Regurgita a terra.
Pensa, passou além da dor.

Vira-se, vê o céu.
Seu joelho sangra, o corpo treme.
A luz cega-lhe-, está radiante.
Por instantes, aquece-o.

Uma sombra projeta-se na face.
O corpo ainda treme,
O redemoinho sibila.

A esfera circunspecta para.
Ele gira, abre-se a Rosa.
A Estrela da Manhã brilha etérea.

1 comentários:

Cristine disse...

Adorei.Bonitos escritos.